“Transpessoal” (literalmente: “além do pessoal” ou “além da personalidade”)
Após o surgimento da Psicologia Humanista na década de 60, diante de várias
mudanças sociais, culturais, científicas, políticas, religiosas, dentre outras, também
começou a notar-se, nos meios científicos, particularmente nos Estados Unidos da
América, um aumento do interesse pelos chamados estados modificados de consciência
(EMC) (Weil, 1976). Surgiu assim um cenário que possibilitou pensar uma nova
perspectiva psicológica, a Psicologia Transpessoal também chamada de a "Quarta
A Psicologia Transpessoal nasceu da Teoria Humanista considerada a terceira
força, e foi muito além destes conceitos, valendo-se da chamada primeira força, Teoria
Positivista ou Behaviorista e a segunda força, a Teoria Psicanalítica Clássica. Quem
oficializou a psicologia Transpessoal primeiramente foi Abraham Masllow, junto com
Viktor Frankl, Stanislav Grof e James Fadiman em meados de 1968.
Maslow havia criado a Psicologia Humanista junto a Carl Rogers e foi o
maior porta-voz e articulador dessa teoria. Entre as importantes características, dessa
nova terapia, estava uma decisiva mudança da estratégia exclusivamente verbal, da
psicoterapia tradicional, para uma expressão direta das emoções e da exploração
da história do indivíduo e da motivação do inconsciente para os processos dos
pensamentos e sentimentos dos clientes, no aqui e agora. Um outro aspecto importante,
dessa revolução terapêutica, foi a ênfase da interconexão da psique e do corpo e a
superação do tabu contra o toque, previamente dominante no campo da psicoterapia;
várias formas de trabalho corporal, formando assim uma parte integral da nova
estratégia de tratamento. A Gestalt terapia de Fritz Perls, a bioenergética de Alexander
Lowen e outras abordagens neo-reichianas são destaques nas terapias humanísticas.
A partir destes movimentos teóricos, Maslow junto a Anthony Sutich,
perceberam que estavam deixando de fora um importante aspecto da experiência
humana: a dimensão espiritual e os estados alterados de consciência. Nesse sentido se
organizaram com pensadores como Grof e Fadiman, para criar o que chamaram, na
época, de Psicologia Trans-humanística, logo após sendo chamada Transpessoal, com o
objetivo de respeitar o espectro inteiro da existência humana.
Carl G. Jung que compreendia a importância da interpretação do produto dos
símbolos numa perspectiva de chegar perto da realidade psíquica onde se entende que
se constituem as especificidades das ciências do espírito, e a qualidade física da mente
teoria também usada na Teoria Transpessoal. Carl Gustav Jung pode ser considerado o
mentor máximo e o primeiro psicólogo transpessoal. As diferenças entre a Psicanálise
Freudiana e as teorias de Jung são muito bem representativas das diferenças entre
uma psicoterapia mecanicista e biomédica e uma mais humana e holística. Ainda
que Freud e muitos
da psicologia ocidental, atingindo os limites do paradigma cartesiano em Psicologia,
apenas Jung questionou radicalmente seus fundamentos filosóficos: a visão de mundo
de Descartes e Newton. Jung salientou, de modo convincente, aspectos não racionais
e não lineares da psique, que inclui o misterioso, o criativo e o espiritual como meios
válidos, ou formas holístico-intuitivas de conhecimento.
Jung não acreditava que o ser humano fosse uma mera máquina
biológica. O conceito de máquina é extremamente antropomórfico para ser um
conceito natural. Além disso, ele reconhecia que o processo de maturação psíquica
pode, em certos casos, transcender e muito os estreitos limites do ego e do inconsciente
individual. Por isso ele é considerado o primeiro representante da orientação
transpessoal em psicologia.
A Psicologia Transpessoal aceita especialmente estes preceitos, e adiciona a
capacidade do ser humano de alterar os estados da consciência, para alcançar uma
dimensão diferente da normal (vigília) chamada comumente de "Consciente". Vê o
homem como um todo apto a fazer suas escolhas transcendendo seus limites físicos e
psíquicos. A grande maioria dos teóricos da personalidade toma por fundamento básico
a consciência em estado de vigília, ou consciência normal, como sendo a única
possibilidade saudável de nível de percepção cognitiva. As características básicas desta
consciência normal, segundo Fadiman & Frager, é que a pessoa sabe "quem é", tem
perfeita noção de si mesma como uma individualidade, e seu sentido de identidade é
estável. Ou seja, a pessoa tem uma idéia clara de ser uma individualidade diferenciada
do meio que a cerca. Estudos vários sobre a imagem corporal e do sentido do ego
concluem que qualquer desvio desses limites é um grave sintoma psicopatológico. Só
que tal conclusão começou a ser seriamente questionada com vários relatos e pesquisas
sérias realizadas em várias partes do mundo, e a transpessoal chega para dar conta
dos seus discípulos tenham ido muito a fundo nas suas revisões
destas críticas.
A transpessoal procura abranger então o aspecto espiritual como uma importante
parte da psique humana, mas "sendo a psicologia transpessoal uma proposta de
psicologia científica, e não se filiando enquanto movimento a nenhuma concepção
religiosa específica de mundo, sua abordagem do espiritual se faz pela via do empírico,
pela atenção ao fenômeno experiencial em si, assim como pela consideração de seus
efeitos psicológicos e suas implicações para a compreensão da estrutura, da dinâmica e
do desenvolvimento da personalidade." (UNIPAZ, 2008)
Sobre os estados ampliados de consciência Stanislav Grof descreve:
experimenta existindo dentro dos limites de seu corpo físico (a imagem
corporal), e sua percepção do meio ambiente é restringida pela extensão,
fisicamente determinada, de seus órgãos de percepção externa; tanto a
percepção interna quanto a percepção do meio ambiente estão confinadas
dentro dos limites do espaço e do tempo (numa aceitação cultural
das premissas do paradigma cartesiano-newtoniano próprio da visão de
mundo ocidental nos últimos 300 anos). Em experiências psicodélicas (área
explorada por Grof em fins dos anos 50, na Tchecoslováquia, e nos anos 60
nos EUA) de cunho transpessoais, uma ou várias destas limitações parecem
ser transcendidas (este fenômeno também se encontra, de modo esporádico,
nas várias terapias psicológicas, tendo recebido nomes como "Experiências
Oceânicas" em Freud, "Experiências Culminates" em Maslow, "Consciência
Cósmica", em Weil, "Experiência Mística", etc). Em alguns casos, o sujeito
experiencia um afrouxamento de seus limites usuais de ego e sua consciência
e autopercepção parecem expandir-se para incluir e abranger outros
indivíduos e elementos do mundo externo. Em outros casos, ele continua
experienciando sua própria identidade, mas numa percepção de tempo
diferente, num lugar diferente ou em um diferente contexto. Ainda em outros
casos, o individuo pode experienciar uma completa perda de sua própria
identidade egóica e uma total identificação com a consciência de uma 'outra'
entidade. Finalmente (em similaridade com o que experiencia o místico),
numa
transpessoais (experiências arquetípicas, união com Deus, etc.), a
consciência do sujeito parece abranger elementos que não têm nenhuma
continuidade com a sua identidade de ego usual e que não podem ser
considerados simples derivativos de suas experiências do mundo
tridimensional".
Os modelos terapêuticos transpessoais consideram nossa consciência comum
um estado contraído e defensivo. A consciência ótima é considerada bem mais ampla e
potencialmente disponível e qualquer momento, se a contração defensiva for relaxada.
A perspectiva fundamental do crescimento é, pois, abandonar essa contração defensiva
e remover os obstáculos ao reconhecimento do potencial ampliado sempre presente por
meio do apaziguamento da mente e da redução das distorções perceptivas.
Dentro da psicologia existem os níveis de consciência que são denominados
por: a Sombra (self distorcido), o Ego (self individual), Biossocial (preocupação com
o outro), Existencial (crescimento, corpo/mente, e auto-atualização) e Transpessoal
(contato com o inconsciente coletivo, limites do ego são ultrapassados, entre outros
fenômenos). É por abranger todos esses níveis da existência que a Transpessoal
é considerada uma terapia holística, abrangendo também outras teorias de forma
transdisciplinar. Dentre as pesquisas da orientação psicológica transpessoal a
experiência cósmica tem estado em foco, e para reconhecê-la e distinguí-la de outros
estados de consciência os diversos autores propuseram estas características:
Unidade: é o desaparecimento da percepção dual Eu-Mundo.
Inefabilidade: a experiência não pode ser descrita com a semântica usual.
Caráter Noético: um senso absoluto de que o que é vivido é real, às vezes muito
mais real do que a vivência cotidiana comum,
Transcendência do tempo-espaço: as pessoas entram numa outra dimensão; o
tempo não existe mais e o espaço tridimensional desaparece.
Sentido do sagrado: o senso de que algo grande, respeitável e sagrado está
acontecendo.
Desaparecimento do medo da morte: a vida é percebida como eterna, mesmo se
a existência física é transitória.
Mudança do sistema de valores e comportamento: muitas pessoas mudam seus
valores no sentido dos valores B de Maslow (Beleza, Vontade, Bondade,etc). Há uma
subestimação progressiva dos valores ditos ditos materiais e do apego ao dinheiro.
O “ser” substitui o “ter”.
Na terapia, a psicologia transpessoal faz uso de diversas técnicas que
possibilitam o encontro com estados de consciência alterados e que abranjam o
indivíduo holisticamente. Nas sessões terapêuticas emprega-se uma metodologia
bastante variada, coerente com a necessidade e os objetivos do paciente. As técnicas
utilizadas têm o intuito de conduzir a pessoa a níveis de compreensão cada vez mais
elevados através do autoconhecimento e exercícios de expansão da consciência.
Além da psicoterapia propriamente dita trabalha-se também com desenho,
música, meditação, visualização criativa, reiki, respiração e outras ferramentas
conforme os conteúdos abordados. Geralmente as sessões duram aproximadamente
uma hora. E assim, a terapia ajuda você a ver a si próprio e a vida como universos co-
dependentes, e estimula a abertura do coração para um contato maior com o divino que
existe em cada um de nós. Desta forma alcançando conceitos como:
Conceito de vida: o trabalho com a morte, tanto a biológica quanto as mortes
psicológicas, em uma mesma existência são fundamentais neste referencial e resgatam
um novo conceito de ego, através de trabalhos de morte e renascimento do ego.
Conceito de ego: Um ego bem estruturado, mas flexível, que se expande e sob
certas circuntâncias se dissipa. É forte o bastante para se permitir “morrer” em legítimas
experiências do transpessoal e renascer cada vez mais saudável.
Conceito de unidade: Todo esse processo converge para a experiência da
unidade – o resgate da percepção de que somos parte do todo e simultaneamente o todo
está em nós. A separação só ocorre na dimensão mais concreta dos cinco sentidos.
Texto apresentado pelos integrantes (Daniele Mello, Débora Cardoso, Fagner Borba, Marcelo Zwonok, Nathalia Ruas) do grupo de Seminário de Integração. Aula do professor André Felipe Aço.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O meio como determinante, o indivíduo como parte do problema
O modelo biomédico é baseado na orientação científica do século XVII, que consiste em uma visão mecanicista de saúde – considera o corpo uma máquina, como que formado por um conjunto de peças. Esse conceito tende a ver os mecanismos biológicos como base de vida; e os fenômenos mentais, como fenômenos secundários. Em muitos casos, desconsidera importantes aspectos psicológicos, físicos e sociais.
Acredito, no entanto, que a saúde está inteiramente ligada a tais aspectos. Fenômenos como o envelhecimento populacional, a diversificação do conceito de família, a revolução tecnológica, relações cada vez mais problemáticas com o meio ambiente e a alimentação precária estão relacionados ao processo de saúde-doença.
Em vídeo assistido em aula, tivemos acesso à visão de saúde de uma determinada comunidade carente, localizada em Novo Hamburgo. A maioria dos entrevistados entende como parâmetro de vida saudável o estilo de vida que cada pessoa leva, individualmente. Segundo eles, formas de manter a saúde em dia envolvem comportamentos como: cuidado com a alimentação, controle do estresse, prática de exercícios ou atividades físicas regulares, número de horas de sono adequado e exames médicos periódicos.
A noção de saúde que emana do documentário vai ao encontro das ideias defendidas por Goldstein. De acordo com o autor, o meio influi diretamente nos sintomas patológicos de um indivíduo. Não haveria distúrbios patológicos por si sós, deixando de lado a relação destes com a pessoa. Essa teorização encontra coro na conceituação de Canguilhem, que diz ser necessário partir do próprio ser vivo a compreensão de vida e a responsabilidade de distinguir o ponto em que começa uma doença.
Capra resumiria de forma eficiente a crítica à biomedicina tradicional. Para ele, estaríamos acostumados a isolar problemas de saúde como meras falhas “mecânicas”, sem levar em conta fatores sociais e práticas individuais que frequentemente se constituiriam parte da origem de tais enfermidades. Não se trata de uma simples menção à ausência de uma prática mais adequada de prevenção médica, antes disso é uma defesa de maior interdisciplinaridade no estudo e tratamento de eventos patológicos. Capra lança uma luz sobre fatores considerados por ele determinantes – e aceitos como intrínsecos à vida moderna, por convenção e passividade – no desenvolvimento de doenças, como o bombardeio químico da indústria alimentícia e a pressão em ambientes de trabalho.
As ideias de Capra, amplificadas pelas entrevistas registradas no documentário, encontram eco em métodos modernos de encarar a saúde humana. A noção de qualidade de vida é essencial nesse ponto de vista, e áreas como a medicina do trabalho, a terapia ocupacional e diversos campos da psicologia contribuem para mudar os paradigmas da biomedicina tradicionais.
Meline Rutkoski
terça-feira, 26 de abril de 2011
Filme a História das Coisas!!!
O filme nos ajuda a compreender o mundo contemporâneo e os complexos problemas socioambientais atuais. Por fim, apresenta alternativas e soluções, sempre com um olhar de conjunto e uma abordagem socioambiental. É criativo, didático e esclarecedor. Vale a pena ser visto por todos!!!!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Texto: A Representação do Eu na Vida Cotidiana
Segundo Goffman a sociedade é baseada em papéis sociais, onde exite um público, um cenário e um ator. O ator deve desempenhar uma performance de acordo com o que deseja fazer o público entender, ou em alguns casos, este mesmo ator deseja que o público o aceite diante do cenário escolhido. Devido a suas escolhas de atuação, este ator se utiliza de uma imagem e uma conduta adequada na qual deseja induzir um olhar específico de seu público, que ao fazer a leitura, deve corresponder a devida lógica na qual o ator quer ser reconhecido.
O que pode ocorrer nestas atuações e nestes cenários, é uma possível contradição entre o que o ator deseja transmitir e no que ele não consegue controlar e transmite sem saber. O público capitando essas informações emitidas do autor, pode acatar tal leitura e incorporar ao cenário e usar isso como resposta das outras leituras induzidas anteriormente pelo autor, ou constatar que o autor é cínico, e portanto não pertence aquele cenário.
O cenário parece ser como um grupo social na qual o autor atua, este que ao mesmo tempo que é ator é a sua própria platéia, onde pode escolher pertencer a este cenário, via uma adequação das suas escolhas, conduta e figurino. O importante é manter a coerência diante de suas representações.
Goffman, afirma que a sociedade funciona através de certas características sociais em que possivelmente possa ser valorizado, e portanto, o indivíduo que possua ou interprete tais características deve ser de fato o que expressa.
Uma leitura do texto do autor Erving Goffman.
O que pode ocorrer nestas atuações e nestes cenários, é uma possível contradição entre o que o ator deseja transmitir e no que ele não consegue controlar e transmite sem saber. O público capitando essas informações emitidas do autor, pode acatar tal leitura e incorporar ao cenário e usar isso como resposta das outras leituras induzidas anteriormente pelo autor, ou constatar que o autor é cínico, e portanto não pertence aquele cenário.
O cenário parece ser como um grupo social na qual o autor atua, este que ao mesmo tempo que é ator é a sua própria platéia, onde pode escolher pertencer a este cenário, via uma adequação das suas escolhas, conduta e figurino. O importante é manter a coerência diante de suas representações.
Goffman, afirma que a sociedade funciona através de certas características sociais em que possivelmente possa ser valorizado, e portanto, o indivíduo que possua ou interprete tais características deve ser de fato o que expressa.
Uma leitura do texto do autor Erving Goffman.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Depois de pensar, aja!
Assisti a um documentário escrito por Marcelo Masagão que despertou um sentimento, ou melhor, vários sentimentos em mim, acredito que poucas pessoas tenham acesso a esse filme, então divulgo aqui o trailer, pois ele nos faz pensar.
"Nós que aqui estamos, por vós esperamos" é um filme sem fala, apenas com imagens, algumas legendas com frases curtas, ou dados das pessoas que estão nas fotografias do século XX no mundo, com uma música de fundo que influencia o choro, a comoção, o choque.
Relacionando com as aulas de subjetividade e com o texto "A representação do eu na vida cotidiana" podemos ver que pessoas simples são influenciadas pelos grandes eventos da sociedade, que agimos conforme a espectativa do próximo e as vezes perdemos nossa singularidade. O documentário me fez pensar em como as pessoas perdem suas características quando fazem parte de um todo, quando morrem e viram estatística, quando fazem parte de uma fábrica, de um fato e nem sequer sabemos seus gostos, seus sonhos.
Imagens de guerra, morte, arte assim inicia o documentário, muda o dia, muda o estilo da arte, surge novas tecnologias, surge o mêtro, o telefone, Picasso, Freud, a física.
Vemos no século XX uma realidade que conservamos ainda hoje,esquecemos de ver as pessoas como seres humanos, seres pensantes. Elas eram tratas como números e assim ainda são, ainda trabalham exaustivamente como antes, não eram, e não são vistas com subjetividade, produzem e não possuem o produto, conforme foi ilustrado no filme com a foto de Alex Anderson que produzia carros na ford e nunca teve um.
Fotos de familias que morreram em guerras e ainda hoje acontece, porém as guerras são diferentes,são desastres naturais que matam, são acidentes de transito que tiram a vida de muitas famílias. Nos noticiarios ouvimos " MORRERAM 3 PESSOAS EM UM ACIDENTE HOJE", porém há uma frase no filme que me marcou e crítica a visão das pessoas como estatística, números, escrita por Cristian Boltaski: "Numa guerra não se matam milhares de pessoas. Mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay,
outro que tem uma namorada. Uma acumulação de pequenas memórias...".
É mais de uma hora de imagens, de música, de momentos que nos emocionam, outros que nos revoltam, mas no fim, são um conjunto de fotografias que nos fazem pensar.
Ao mesmo tempo que mostrava a imagem do coveiro de um cemitério, havia a legenda de que ele jogava dominó nos domingos; quando mostrava um trabalhador no campo, que nunca teve acesso a televisão, a legenda de que ele gostava de coca cola, porém essas subjetividades, gostos, sonhos de cada um, nunca foram perguntadas, nunca ninguém teve interesse. Hoje, ainda é assim nas grandes empresas, o funcionário está lá para servir, para produzir ainda que o produto não chegue nas suas mãos, não importa o estado do cliente, desde que ele esteja comprando a mercadoria.
Vivemos em um mundo de representações, de papéis, de fachadas, em que na fachada pessoal há a aparência e a maneira. Considerando aparência como definidora do status momentâneo do ser, e maneira como a forma de agir, podemos perceber que cada um tem a sua fachada, porém todos nós fazemos parte da mesma sociedade, todos nós temos a fachada de seres humanos, portanto deveríamos aceitar a todos,independende da aparência: se é empregado, se é chefe, se é vendedor, se é cliente, devemos
questionar a subjetividade de cada um, alcançando assim uma singularidade.
O documentário mostra que pequenas pessoas fizeram parte de uma grande história,
deveríamos nos preocupar mais com o nosso século para que se fosse feito um trabalho de imagens em cima dos nossos fatos, houvessem imagens de alegria, de crianças sendo educadas, de coscientização em relação a poluição, ao corte de árvores. Retomando o texto da postagem anterior, temos que relacionar as três ecologias, buscar o equilibrio, a subjetividade e singularidade.
O titulo do documentário é dado, pois a frase está escrita na fachada de um cemitério em São Paulo: "NÓS QUE AQUI ESTAMOS, POR VÓS ESPERAMOS" e de fato a única certeza da vida é a morte, porém podemos conservar o mundo, o bem-estar físico e mental e viver por muito mais tempo. É um documentário que fez chorar, fez sorrir, fez pensar, porém espero que ele nos faça agir, o mundo influencia quem somos, porém nós temos direito de lutar pelas singularidades.Termino com uma frase de Jean Paul Sartre : "Não importa o que fizeram do homem,mas sim o que ele faz daquilo que fizeram dele. "
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Vídeo 3 Ecologias
O vídeo foi usado em uma palestra para ilustrar o texto as três ecologias do Félix Guattari. Podemos ver a beleza da natureza, mas depois surgem as imagens chocantes do lixo, da deterioração causada pelo homem. Mostra o mundo em crise, do qual o autor fala. O vídeo expõe os dois lados da ecologia, mas não uma solução para termos predominância das imagens belas; segundo Guattari uma das possibilidades seria a relação entre as 3 ecologias: social, ecológica e mental. Falta conscientização da sociedade, mas o que pode ser feito? Diversas questões são trazidas, porém não são apresentados os processos para alcançar as respostas, no caso, o lado belo.
A sociedade tem vontades de mudar o mundo, mas acreditam que suas ideias são pequenas demais para resolver os problemas e que é apenas uma ideia, que não terá seguidores, porém essa parcela da população que tem o desejo de auxiliar para o bem ecológico, deve agir. No texto podemos ver que os movimentos singulares causam impacto na população. Devemos, portanto, acreditar que somos capazes de influenciar outras pessoas com nossas ideias e assim juntos resgatar o lado belo da natureza mostrado no vídeo.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Texto: PSICOLOGIA NEWTONIANA (Capra)
O texto descreve o desenvolvimento da psicologia, desde Descartes, até a psicologia analítica.
Descartes(fig. 1) com seu modelo mecanicista via as pessoas como um relógio que deveriam ser tratadas por partes, peças. Os pré-socráticos falam da alma, de consciência, um dos mais importantes foi Platão(fig. 2) que falou da psique, ele engloba o físico e o mental, o que gera o problema mente-corpo. Hobbes e Locke contestam e defendem que as idéias são gravadas através das percepções sensoriais, visto que para eles nascemos com a mente vazia e adquirimos o conhecimento depois.
A psicologia moderna foi resultado dos avanços em anatomia e fisiologia, surge Pavlov(fig. 3) com os princípios dos reflexos condicionados. Wundt declara psicologia como ciência. Uma abordagem holística deu origem a duas escolas: Gestaltismo e funcionalismo. Representando o funcionalismo, William James dá ênfase ao estudo da consciência. Surge o Behaviorismo, fundado por John Watson, influenciado por Pavlov, estudavam o comportamento, o processo de aprendizagem, a partir da década de 50 Skinner(fig.4 ) tem sido o mais falado dessa escola; ele define a relação operacional de reforço e resposta. A psicanálise iniciou da psiquiatria, Freud (o pai da psicanálise) estudou com Charcot os métodos de hipnose aplicando nos pacientes com o auxilio de Breuer. Freud(fig. 5) foi mudando seus métodos, implantando outros conceitos à escola psicanalista.
Freud foi perdendo seus seguidores, pois não admitia que discordassem de sua teoria, o mais conhecido foi Jung(fig. 6). Jung separou-se de Freud e ainda que utilizando algumas teorias semelhantes, fundou a escola da Psicologia Analítica. Essa é a trajetória abordada por Capra no livro o ponto de mutação já citado em outras postagens.
Para finalizar, uma citação do texto de Capra relativo aos Behaviorismo:
“Tudo isso é, portanto, psicologia newtoniana por excelência, uma psicologia sem consciência, que reduz todo o comportamento a sequências mecânicas de respostas condicionadas que afirma que a única compreensão cientifica da natureza humana é aquela que permanece dentro da estrutura física e da biologia clássicas; uma psicologia, além disso, que reflete a preocupação de nossa cultura com a tecnologia manipulativa, criada para exercer domínio e controle.”
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